Imagem capa - Parto Domiciliar Planejado Família Franceschetto Morais por Glaucia da Costa
Parto

Parto Domiciliar Planejado Família Franceschetto Morais

Conheci a Layla através de um grupo sobre aleitamento materno no qual fazemos parte, tive a oportunidade de fotografar ela e o seu primogênito Augusto em um ensaio fotográfico coletivo desse mesmo grupo. Layla tornou-se minha cliente, e mais do que isso, uma amiga! Desde então fotografei a  família dela muitas vezes, inclusive a espera do Vicente, o caçula.






Eu faço muita fotografia de família e gestante, praticamente 90% dos meus trabalhos, mas eu ainda tinha uma vontade insana de fotografar um parto. Eu tinha vontade, mas também um pouco de insegurança, afinal não sabia como eu iria reagir ao assistir um parto, mesmo já sendo mãe e passado pela experiencia duas vezes. Quando eu soube que a Layla estava grávida, na hora eu pedi ao universo a oportunidade de fotografar o parto dela, porque era uma pessoa muito querida para mim, por ser minha cliente, e por saber que eu me entregaria de alma naquele trabalho, e em uma das reuniões do nosso grupo ( o Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno de Chapecó), eu chamei ela, falei o quanto eu queria ter a oportunidade de passar pela experiencia de fotografar um parto, e se ela aceitaria que eu fotografasse aquele momento. Na hora ela aceitou, me agradeceu, e eu fiquei imensamente feliz! Layla é defensora do direito das mulheres, do direito a ter um bebê de forma respeitosa, e ela queria ter o bebê em casa, com o  mínimo de intervenções. Esse também era um desejo meu, ter o meu bebê em casa, mas não foi possível, então eu sentia que de alguma forma eu iria me realizar não só como fotógrafa, mas também como mãe ao presenciar o nascimento do Vicente.






Ela vinha com os pródromos a algumas semanas, e eu nem havia dormido aquela noite, tive medo de dormir e não acordar se recebesse alguma mensagem dela. E foi por volta das 04:15 da manhã que a Joice (enfermeira obstetra que realizou o acompanhamento e iria realizar o parto dela) me avisou que as contrações estavam mais ritmadas e se eu quisesse, podia ir! Lembro que levantei, troquei  a roupa, lavei o rosto, escovei os dentes e voei pra casa dela...estava muito emocionada, e muito ansiosa por aquele momento!






Quando cheguei, estava só ela, a Joice, e os gatos na sala. O restante da família ainda dormia. Ela estava concentrada naquele momento, e no intervalo das contrações nós conversávamos. Joice fazia os procedimentos necessários durante o trabalho de parto, mas deixava ela livre, pra chorar, gritar, rezar ou fazer o que ela quisesse, em nenhum momento fez toque, Layla não quis, e foi respeitada. 



Logo depois o João (colega da Joice, também enfermeiro obstetra chegou). Layla recebia massagem, palavras de conforto, comida, estava em um ambiente preparado com musica relaxante, e ao passo que as contrações evoluíam ela mergulhava mais na partolândia e se entregava ao momento.





Era quase 06:00hs da manhã, o marido, a mãe e a irmã da Layla acordaram, Helder, o marido, deu comida para os gatos enquanto a mãe cuidava dos preparativos pro almoço, e a sua irmã a encorajava e estava ao lado dela, de mãos dadas.

Depois que eu cheguei, foram 3 horas de trabalho de parto, Layla não demonstrava aquela dor terrível que muitas relatam, até que Vicente decidiu que era chegada a hora. Ele chegou no dia 08/01/2020, as 07:32 da manhã, foi recebido pelas mãos da Joice, e dali direto para o colo de sua mãe...Uma das cenas mais lindas que já presenciei!




Layla conseguiu! Teve seu parto no aconchego do seu lar, ao lado de todas as pessoas que ama, teve seu filho de forma humanizada e respeitosa, aliás como todos os bebês mereciam nascer. E só depois Augusto acordou, quando seu irmão já estava entre todos! Augusto ajudou a "examinar" o mano e o recebeu com todo o carinho do mundo. 



Pra mim, foi uma das experiencias mais lindas que vivi, que presenciei e que fotografei. Fiquei alguns dias tentando assimilar o que era aquele sentimento, eu realmente não sabia nomear, foi um misto de emoção, euforia, gratidão...e até hoje eu ainda não sei explicar o que eu senti!

Eu entendi o meu propósito de vida quando comecei a fotografar pessoas, eu ressignifiquei esse propósito a partir do momento que fotografei o meu primeiro parto.



Confira aqui, todas as fotos do parto!